Senhor dos Passos da Graça
Real Irmandade da Santa Cruz e Passos da Graça
16
Abr 10

Muitas irmandades podem, certamente, orgulhar-se por ter na sua respeitável história inúmeros homens santos reconhecidos quer por actos públicos quer por actos que só Deus tomou conhecimento. No entanto, poucas têm a honra de terem sido fundadas por um homem a quem os do seu tempo, ainda em vida, chamavam de Santo, o Pintor Santo mais precisamente.

 

Luís Álvares de Andrade, o nosso fundador, foi exemplo público de santidade e de entrega com uma visão objectiva do que pode ser a missão e a capacidade de pôr ao serviço os dons que Deus lhe deu.

 

Natural da cidade de Lisboa (cerca de 1550), foi um homem respeitado pela sua virtude e santidade, razões pelas quais era conhecido por todos como o Pintor Santo.

Filho de Afonso Álvares de Andrade e de Maria Franca, cedo ficou órfão de pai, tendo sido entregue pela sua mãe aos cuidados de Frei Francisco de Bovavilha, religioso Dominicano de méritos reconhecidos por toda a Espanha que ocupava em Portugal o cargo de confessor da Rainha Dona Catarina, mulher do Rei Dom João III.

Outro ilustre membro da Ordem Dominicana que contribuiu para a sua formação foi Frei Luís de Granada, que lhe formou o coração de tal maneira que o tornou num extremo de assombro e edificação na humildade, na paciência, no desprezo de si e sobretudo no cordial afecto de devoção ao Santíssimo Sacramento.

 

A singular piedade deste grande servo de Deus inspirou-lhe o desejo de colocar em prática, na sua cidade de Lisboa, o que o Marquês de Tarifa tinha começado em Sevilha, celebrando os Passos de Jesus Cristo em sua Paixão sagrada, imitando os passos que Ele mesmo tinha dado com a Sua Cruz até ao Calvário.

 

Inicialmente, juntamente com os seus companheiros, como frequentador da Igreja de São Roque dos padres da Companhia de Jesus, comunicou a intenção de ali fundar uma confraria de devoção à santa Cruz de Cristo mas este projecto foi-lhe negado evocando indisponibilidade de espaço. No entanto foi-lhe indicado o Convento da Ordem de Santo Agostinho como uma possibilidade e assim se fundou a Irmandade ou Confraria da Santa e Vera Cruz, inicialmente numa capela no claustro do convento da Graça em 1586.

 

Empregou nesta sua empresa todas as diligências, com muito trabalho e despesa sua.

Luís Álvares de Andrade comprou a um escultor italiano de passagem por Lisboa uma magnífica cabeça de Cristo para a qual mandou fazer um corpo de vestir.

 

Teve o beneplácito do Arcebispo de Lisboa, D. Miguel de Castro, que o pôs como principal instituidor da procissão no ano de 1587, um ano após a fundação, e contava já com uma bula em 1586.

 

Muitas foram as Graças e indulgências posteriormente concedidas quer por Sumo Pontífices quer por Padres da Igreja. O próprio Arcebispo muito se empenhou nesta obra da instituição. Tanto que chegou a percorrer as ruas do itinerário da procissão com Luís Alvares para melhor decidir onde colocar cada estação dos Passos. Nessa ocasião, o Arcebispo comentou  com a comunidade de religiosos agostinhos “Espero em Deus que desta santa obra resultará a Luís Alvares grande glória na outra vida, aos fiéis cristãos não menos proveito espiritual nesta.”

 

A verdade é que ainda hoje, passados mais de quatro séculos, se faz a procissão dos Passos que, a seu exemplo, rapidamente se estendeu a todo o reino.

 

Outra particularidade deste grande homem foi a sua devoção às almas do purgatório. De referir que foi no Concilio de Trento (1545-1563) que o purgatório teve um impulsionamento considerável, como resposta da contra reforma.

 

Luís Alvares de Andrade aderiu de tal forma a esta devoção que era sua intenção esvaziar o purgatório pelo que mandou imprimir, à sua custa, mais de vinte mil papéis com a oração do Santo Sudário e Indulgência do Papa Clemente VII que fez distribuir por todo o reino, e fora dele, além da pintura de inúmeras placas a óleo com a representação das almas em chamas e com a legenda “Irmãos lembrai-vos das almas que estão no Purgatório hum Pater Noster e Avé Maria” que colocava nas portas das igrejas, pontes, cruzamentos, praças e demais lugares públicos desde Lisboa até ao Minho. Deve-se a ele a ainda existente devoção popular das Alminhas, tal foi a fervorosa e empenhada pastoral deste leigo filho de Deus.

 

Morreu na cidade de Lisboa a 3 de Abril de 1631 com cerca de oitenta e um anos. Jaz enterrado no Cruzeiro de São Roque.

 

A prova de santidade deste humilde mas grande homem é a forma quase despercebida como desempenhou a sua missão, tão importante na história da Igreja em Portugal e no entanto tão desconhecida do cidadão comum.

 

Os santos são acima de tudo exemplos de vida.

 

A nossa gratidão a este grande e santo homem pelo legado que nos deixou.

publicado por senhorpassosgraca às 15:43
09
Abr 10

Ex-voto = consequência de um voto

 

Quadro, figura ou objecto qualquer, suspenso em uma Igreja ou em qualquer lugar venerado, para o cumprimento de um voto ou em memória de uma graça obtida.

 

 

Painéis votivos desta Real Irmandade:

 

"Milagre" sucedido no Rio Tejo

 

13 de Dezembro de 1864

(sem legenda)

 

 

 

"Milagres" sucedidos no Mar

 

(sem data)

(sem legenda)

 

 

 

11 a 14 de Novembro de 1876

Vapor D. Antónia

Os passageiros do Vapor D. Antónia offerecem ao Senhor dos Passos da Graça este quadro por os ter salvo do temporal nos dias 11 a 14 de Novembro de 1876 na altura das Ilhas canarias, em viagem para a África Occidental.

 

 

 

29 de Agosto de 1863

Galera portugueza Deslumbrante

Promessa offerecida ao Senhor dos Passos da Graça no dia 29 d'Agosto de 1863 pela tripulação da galera portugueza, Deslumbrante, na occasião do tufão no mar da China, na Latt. N. 18º,,54',,57' e Long. E. de Gre. 115º,,07',,56'.

 

 

 

1 de Dezembro de 1867

Brigue Portuguez Ovarense

Brigue Portuguez Ovarense no Canal Britanico proximo ao banco de Goodwin em 1.º de Dezembro de 1867

 

 

 

 

 

22 a 25 de Dezembro de 1868

Vapor Portuguez Quanza

Horrível tempestade de 22 a 25 de Dezembro de 1868 na Biscaia. Verdadeiro quadro do Vapor Portuguez Quanza de 1006 tons. Comandante E. Garraio, em viagem de Lisboa para Hull no dia 23 de Dezembro ás 3 horas e 45 minutos da Madrogada. O navio depois e ser batido 15 horas por furiosa tempestade d'O.N.O. em Latt. N. 45º e Long. O. de Gre. 11º perde os aparelhos do Leme ficando sem governo, e o mar senhor do Navio. O Senhor Jesus dos Passos da Graça salva o casco e 29 vidas na crize de perda total.

 

 

 

11 de Fevereiro de 1857

Barca Brazileira Amelia

No dia onze de Fevereiro de 1857, a Barca Brazileira Amelia, vindo da Bahia para Lisbôa, sofreo um frande mar, ficando quasi subemergida e partindo parte da borda, procedido de um temporal. O Cap. invocando o Senhor Jesus dos Passos ficou salvo pelo que Lhe tributa esta Memoria em sugnal de gratidão.

 

 

 

(continua)

publicado por senhorpassosgraca às 15:57
05
Abr 10

Na impossibilidade de organizarmos a lista completa dos Provedores da desta Real Irmandade - impossibilidade que resulta da não existência de livros ou documentos de algumas épocas - damos uma relação de todos aqueles cujos nomes conseguimos apurar:

 

1588 - 1589 - D. Miguel de Castro, Arcebispo de Lisboa

1589 - 1620 - sem informação

1620 - 1621 - Luís das Póvoas

1621 - 1622 - D. Luís Coutinho, Alcaide-mor do Almourol

1622 - 1624 - Gaspar Cota Falcão, Fidalgo da Casa Real e Escrivão da matrícula dos moradores dela

1624 - 1625 - Duarte de Albuquerque Coelho, Senhor de Pernambuco

1625 - 1626 - Francisco de Vasconcelos, posteriormente 1.º Conde de Figueiró

1626 - 1627 - Gaspar Cota Falcão

1627 - 1629 - D. João Mascarenhas, posteriormente 3.º Conde de Santa Cruz

1629 - 1630 - Manuel da Cunha

1630 - 1631 - D. Luís de Ataíde, 5.º Conde de Atouguia

1631 - 1632 - António de Mendonça

1632 - 1633 - Gaspar Cota Falcão

1633 - 1634 - D. Carlos de Noronha, um dos Fidalgos da Restauração Portuguesa em 1640

1635 - 1637 - D. Pedro de Meneses, 2.º Conde de Cantanhede (Na sua ausência serviu D. Carlos de Noronha. Eleito novamente, escusou-se.)

1637 - 1638 - D. Tomás de Noronha, um dos Fidalgos da Restauração Portuguesa em 1640

1638 - 1640 - sem informação

1640 - 1641 - Rui de Moura Teles

1641 - 1642 - D. Carlos de Noronha (Não aceitou por estar ocupado em 4 Irmandades, ficando em seu lugar o 2.º Conde de Val de Reis e, na ausência deste, Rui de Moura Teles)

1642 - 1643 - D. João Mascarenhas

1643 - 1644 - D. Francisco de Sousa Coutinho, 6.º Conde do Redondo

1644 - 1645 - Henrique de Sousa Tavares, 3.º Conde de Miranda e, posteriormente, 1.º Marquês de Arronches

1645 - 1646 - Luís César de Meneses, Alcaide-mor de Alenquer e, posteiormente, Alferes-mor do Reino

1646 - 1647 - D. Henrique da Silva, 6.º Conde de Portalegre e, posteriormente, 1.º Marquês de Gouveia

1647 - 1648 - D. João Gonçalves da Câmara, Conde Capitão General

1648 - 1649 - D. Tomás de Noronha, posteriormente 3.º Conde de Arcos

1649 - 1650 - D. João da Silva Telo de Meneses, 1.º Conde de Aveiras, Regedor da Justiça e vice-Rei da India

1650 - 1651 - D. Vasco Luis da Gama, 1.º Marquês de Nisa

1651 - 1652 - D. António de Alcáçova, um dos Fidalgos da Restauração Portuguesa em 1640

1652 - 1653 - sem informação

1653 - 1654 - D. Luís de Portugal, 6.º Conde do Vimioso

1654 - 1655 - D. João Forjaz Pereira Pimentel, 7.º Conde da Feira

1655 - 1656 - Fernão Teles de Meneses, 1.º Conde de Vilar Maior e um dos Fidalgos da Restauração Portuguesa em 1640 (filho de D. Mariana de Lencastre)

1656 - 1657 - sem informação

1657 - 1658 - D. António de Mendonça, posteriormente Arcebispo de Lisboa

1658 - 1659 - sem informação

1659 - 1660 - D. Luís Coutinho

1660 - 1661 - Simão de Miranda Henriques

1661 - 1662 - D. José Luís de Lencastre, 3.º Conde de Figueiró

1662 - 1663 - Rui Freire de Andrade

1663 - 1664 - Luís Freire de Andrade, 9.º Senhor de Bobadela e do Conselho do Rei D. Pedro II

1664 - 1665 - Manuel Teles da Silva, 2.º Conde de Vilar Maior e, posteriormente, Marquês de Alegrete

1665 - 1666 - D. Martinho de Mascarenhas, 4.º Conde de Santa cruz

1666 - 1667 - sem informação

1667 - 1668 - D. Diogo de Lima e Brito, 8.º Visconde de Vila Nova de Cerveira

1668 - 1673 - António Cavide

1673 - 1675 - Diogo de Mendonça Furtado

1675 - 1676 - Garcia de Melo, Monteiro-mor

1676 - 1677 - D. Diogo de Lima e Brito

1677 - 1678 - sem informação

1678 - 1679 - sem informação

1679 - 1682 - D. Marcos de Noronha

1682 - 1686 - D. Lourenço de Mendonça de Moura e Sousa, 3.º Conde de Val de Reis

1686 - 1687 - António Luís Coutinho, Governdor e Capitão General de Pernambuco e da Baía, Almotacel-mor do Reino e vice-Rei da India

1687 - 1689 - D- Pedro António de Meneses, 2º Marquês de Marialva

1690 - 1697 - sem informação

1697 - 1698 - D. José Henriques

1698 - 1699 - sem informação

1699 - 1700 - D. Jorge Henriques. 7.º Senhor dos Alcáçovas

1700 - 1701 - D. Tomás de Lima e Vasconcelos, 12.º Visconde de Vila Nova da Cerveira

1701 - 1702 - Gastão José da Câmara

1702 - 1704 - D. Tomás de Almeida

1704 - 1705 - Alvaro José Botelho de Távora, 2.º Conde de S. Miguel

1705 - 1707 - D. Martinho Mascarenhas, 6.º Conde de Santa Cruz

1707 - 1708 - D. Felipe Mascarenhas, 3.º Conde de Coculim

1708 - 1709 - D. Fr. António botado, Bispo de Hipónia

1709 - 1710 - Nuno Manuel de Mendonça, 4.º Conde de Val de Reis

1710 - 1712 - D. António Luís de Sousa, 2.º Marquês das Minas

1712 - 1714 - D. Felipe Mascarenhas, 2.º Conde de Coculim

1714 - 1715 - Manuel Teles da Silva, 4.º Conde de Vilar Maior e, posteriormente, 3.º Marquês de Alegrete

1715 - 1716 - D. Jaime de Melo, 3.º Duque do Cadaval

1716 - 1717 - D. Francisco Paulo de Portugal, 2.º Marquês de Valença

1717 - 1718 - Pedro Mascarenhas

1718 - 1720 - D. Luís de Almeida Portugal, 3.º Conde de Avintes

1720 - 1721 - D. Jaime de Melo

1721 - 1722 - D. Tomás da Silva Teles, 13.º Visconde de Vila Nova da Cerveira

1723 - 1727 - D. Nuno Alvares Pereira de Melo, 1.º Duque do Cadaval

1727 - 1729 - D. Jaime de Melo

1729 - 1730 - D. Diogo de Noronha, 3.º Marquês de Marialva

1730 - 1731 - Aleixo de Sousa da Silva, 2.º Conde de Santiago, Conde Aposentador-mor

1731 - 1733 - D. Felipe de Mascarenhas, 2.º Conde de Coculim

1733 - 1734 - D. Pedro da Silva Valente Castelo Branco Barreto e Meneses, 5.º Conde de Vila Nova de Portimão

1734 - 1735 - D. Pedro Henrique de Bragança, 1.º Duque de Lafões

1735 - 1736 - D. Manuel José de Castro, 3.º Marquês de Cascais

1736 - 1737 - D. Luis José Tomás de Castro Noronha Ataíde e Sousa, 10.º Conde de Monsanto e, posteriormente, Marquês de Cascais

1737 - 1738 - D. Jerónimo de Ataíde, 11.º Conde de Atouguia

1738 - 1739 - Duque Estribeiro Mor

1739 - 1740 - 5.º Conde de Vila Nova de Portimão

1740 - 1741 - Fernão da Silva Teles, 4.º Marquês de Alegrete

1741 - 1742 - Fernão Teles da Silva, Monteiro Mor do Reino

1742 - 1743 - D. Estêvão de Meneses, 5.º Conde de Tarouca e, posteriormente, 1.º Marquês de Penalva

1743 - 1744 - D. João Carlos de Bragança, 2.º Duque de Lafões (fundador da Academia R. das Ciências de Lisboa)

1744 - 1745 - D. Pedro Henrique de Bragança, 1.º Duque de Lafões

1745 - 1746 - D. Francisco Mascarenhas, 3.º Conde de Coculim

1746 - 1748 - D. Francisco Xavier Rafael de Meneses, 6.º Conde da Ericeira e 2.º Marquês do Louriçal

1748 - 1749 - Lourenço Felipe de Mendonça e Moura, 5.º Conde de Val de Reis

1749 - 1750 - D. Rodrigo António de Noronha e Meneses

1750 - 1751 - D. Pedro Henrique de Bragança, 1.º Duque de Lafões

1751 - 1752 - D. João das Costa Carvalho Patalim, 5.º Conde de Soure

1752 - 1753 - D. Luís da Câmara Coutinho

1753 - 1754 - D. Duarte António da Câmara, 5.º Conde de Aveiras

1754 - 1755 - D. João de Bragança

1755 - 1756 - D. Jerónimo de Ataíde, 11.º Conde de Atouguia

1756 - 1757 - Manuel Teles da Silva, 6.º Conde de Vilar Maior

1757 - 1758 - D. Pedro Henrique de Bragança, 1.º Duque de Lafões

1758 - 1759 - D. Luís da Câmara Coutinho

1759 - 1760 - 2.º Marquês do Louriçal

1760 - 1761 - Luís de Saldanha da Câmara, 4.º Conde da Ponte

 

(a completar na próxima actualização)

publicado por senhorpassosgraca às 16:40
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Parabéns por todo este trabalho e importante recol...
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